Sobreviver a um raio é o que se costuma chamar de milagre. Uma vez atingido pela descarga, a vítima pode ter sequela irreparável ou morrer por complicação em algum órgão, segundo o médico cardiologista Marcus Roberto Andreucci.
O corpo vira um fio condutor energizado e descarrega no solo, tornando quase nula a possibilidade da pessoa atingida sobreviver.
De outra forma, quando alguém sai com vida é porque foi atingido indiretamente, por correntes que vêm pelo solo.
“Se eu tiver uma carga muito mais intensa, e que passe, por exemplo, pela cabeça, passe pelo tórax, pelo abdome, eu também passo a ter lesões viscerais ou, às vezes, até cerebrais. Então, em uma descarga elétrica de um raio, que é de altíssima voltagem, pode ter um paciente que, recebendo esse choque, se ele tiver a sorte de comprometer somente extremidades, talvez ele faça queimaduras graves, mas não tenha danos corporais.”
“O grande problema é que a grande maioria dos raios acaba comprometendo o corpo inteiro com grande possibilidade da pessoa ter morte súbita”, explicou o médico.
Dados do Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), mostram que, a cada 50 óbitos por incidência de raio no mundo, um acontece no Brasil.
O médico lembrou que, por isso, é importante evitar tocar em árvores, barra de ferro, ou em locais abertos com maior influência de ter o contato com a descarga elétrica.
Sequela x morte
Após receber a descarga elétrica, o ser humano pode ter problemas neurológicos, arritmia cardíaca, danos ao miocárdio e edema pulmonar no sistema circulatório.
Se os neurotransmissores foram comprometidos, por exemplo, a vítima atingida terá perda de memória por algumas horas ou anos, podendo ocorrer desmaios.
Os danos cerebrais podem resultar até em amnésia a curto prazo.
“Se ocorre uma descarga elétrica com um dano cerebral, provavelmente essa pessoa tenha menor probabilidade de recuperação. O dano cardíaco ele costuma ser elétrico. Existem casos em que a eletricidade passa pelo coração sem alterar o ritmo elétrico, mas como é uma alta carga pode ser que ocorra um dano elétrico e o coração pare de bater”, explicou.
Marcus destaca que pode haver queimaduras graves de até terceiro grau ou ainda a vítima ficar com as chamadas Marcas de Lichtenberg, causadas pela queima de vasos sanguíneos e que geram riscos pelo corpo.
Corpo molhado intensifica a tensão
A pele humana é considerada um bom isolante quando está seca e oferece residência maior à passagem da corrente elétrica elevada.
Quando estiver úmida ou molhada, segundo o médico, a capacidade de isolamento é menor e pode haver queimaduras.
“A pele tem uma certa residência eletricidade. Então, se tomar uma pequena carga com a mão seca, a pela consegue resistir e não deixar essa carga elétrica entrar nos músculos”, falou.
O resultado de receber choque com o corpo molhado facilita na circulação da corrente percorrendo por mais tempo o sistema corporal e resultar à falência dos órgãos.
Probabilidade média de uma pessoa morrer atingida por um raio no Brasil ao longo de toda a vida é de uma em 25.000, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Como se proteger dos raios
A Defesa Civil alerta que durante um temporal, recomenda-se buscar abrigo em edificações, tais como casas e prédios.
É preciso evitar lugares altos e áreas abertas como campo de futebol ou praia, por exemplo, e não se deve ficar próximo a árvores, postes, quiosques ou dentro d’água.
PREVENÇÕES
- Se afaste de árvores, cercas de arame e varais metálicos. E saiba que construções como tendas, barracos e celeiros não têm proteção;
- Não sair de casa ou do abrigo durante a tempestade;
- Em local isolado, evitar utilizar telefone com fio ou o celular ligado ao carregador, não toque em equipamentos elétricos ligados à tomada, já que as redes elétricas podem ser atingidas;