CIDADE DE RIO GRANDE DO SUL PODE TER QUE ELEGER 4º PREFEITO EM MENOS DE 6 ANOS

maio 21, 2026 8:30 am

Jussara Caçapava, do Avante, eleita em Abril deste ano como prefeita de Cachoeirinha (RS), em uma eleição suplementar, teve o mandato cassado neste Sábado (16/05/26) pela Justiça Eleitoral. O vice-prefeito, Luis Carlos Azevedo da Rosa, o Mano (PL), também teve o mandato cassado.

Caso a cassação seja confirmada, os eleitores da cidade terão de votar pela quarta vez para prefeito desde 2020. Desde a eleição daquele ano, foram afastados do cargo os ex-prefeitos Miki Breier (PSB) e Cristian Wasem (MDB).

De acordo com a decisão da juíza eleitoral Suélen Caetano de Oliveira, houve abuso de poder político por parte dos candidatos. A defesa de Jussara e Mano afirmou que “recebeu com surpresa” a decisão.

A Justiça aponta uso da máquina pública em vídeos divulgados nas redes sociais por Jussara durante a campanha para a eleição suplementar. A atual prefeita também foi declarada inelegível por oito anos.

A decisão foi proferida em primeira instância. Por isso, a prefeita e o vice não serão cassados neste momento. Cabe recurso ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE), que decide na segunda instância. Considerando os prazos internos, a Corte Eleitoral prevê que o processo possa correr até setembro.

Caso TRE mantenha a decisão, seria realizado um novo pleito municipal para que a população de Cachoeirinha escolha novamente prefeito e vice. Ao menos por ora, Jussara e Mano permanecem em seus mandatos.

Mesmo após uma definição do tribunal gaúcho, ainda caberia apelos à terceira instância. É o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que tem a palavra final sobre disputas judiciais que envolvam eleições no país.

Não será uma novidade caso os eleitores de Cachoeirinha tenham que retornar às urnas para escolher um novo chefe de Executivo. Caso o TRE confirme a decisão de cassar Jussara, seria a terceira vez desde 2022 que titulares da prefeitura teriam os mandatos cassados pela Justiça Eleitoral.

Jussara foi eleita em pleito suplementar justamente após o afastamento do antigo prefeito Cristian Wasem (MDB), que teve seu mandato cassado por suspeitas de interferir no funcionamento da Câmara e praticado pedaladas fiscais.

O próprio Wasem, por sua vez, já havia sido prefeito pela primeira vez em um mandato tampão. Em 2022, ele foi eleito em pleito suplementar após a cassação do ex-prefeito e ex-deputado estadual Miki Breier, que cumpriu mandato pelo PSB.

Breier foi afastado do cargo em abril de 2022 por suspeitas de abuso do poder político e econômico durante o período eleitoral de 2020. Ele está inelegível até 2028.

Situações desta natureza em sequência podem estar afastando o eleitor cachoeirense das decisões eleitorais. Neste ano, o município, que tem 102.143 eleitores, apresentou índice de abstenção de 42,22% — ou seja, pouco mais da metade dos cidadãos aptos a votar decidiram quem seria o novo mandatário.

Ao fim da apuração, Jussara havia conquistado 22.595 votos, sendo 43,39% dos votos válidos (dados a todos os candidatos). A eleição em Cachoeirinha teve 58.173 votos totais, o que inclui 3.479 votos brancos, 5,98% dos votos totais, e 2.617 votos nulos, 4,50%.

Fonte: G1 RS