Estudantes de colégio estadual de Londrina criam repelente contra escorpiões
Preocupados com o número de acidentes provocados por escorpiões no Paraná, três estudantes da Sala de Recursos de Altas Habilidades/Superdotação do Colégio Estadual Cívico-Militar do Patrimônio Regina, em Londrina, estão desenvolvendo um repelente natural, ecológico e de baixo custo
. A pesquisa, iniciada em março deste ano, utiliza a arruda como princípio ativo vegetal para afastar os animais peçonhentos sem a necessidade de compostos químicos agressivos.
O projeto dos alunos do 9º ano do Ensino Fundamental surge em um contexto de atenção à presença de escorpiões no Paraná. Segundo a Sesa (Secretaria de Estado da Saúde), o Estado registrou 8.472 acidentes com escorpiões em 2025. Desse total, 1.144 ocorrências foram nos municípios de abrangência da 17ª Regional de Saúde de Londrina.
Até setembro de 2026, o Paraná contabilizou 5.265 casos, sendo 678 registros na 17ª RS de Londrina. O aracnídeo, que habita em meio ao lixo, entulhos acumulados, roupas e sapatos, é mais ativo em períodos e locais quentes.
A proposta do repelente surgiu do interesse coletivo da equipe de jovens cientistas pelas áreas de ciências, matemática e tecnologia. O método de preparação foi desenhado para ser prático e reprodutível: folhas e ramos de arruda permanecem imersos em álcool 95% por dois a três dias para a extração dos bioativos. Na sequência, a solução é filtrada e armazenada em frascos borrifadores simples.
“A arruda é uma planta medicinal extremamente acessível. Nossas pesquisas mostraram que qualquer pessoa pode encontrá-la no próprio quintal ou em feiras, o que torna a produção barata e viável para quem mais precisa”, destaca o estudante Rodrigo Lorenzo Gomes da Silva, de 15 anos, integrante da equipe.
ADAPTAÇÃO E METODOLOGIA
Em fase inicial de execução, o projeto estabeleceu uma parceria científica com a UEL (Universidade Estadual de Londrina). Por questões de biossegurança dentro do ambiente escolar, o grupo ainda não fez testes diretamente com escorpiões vivos.
Para validar o potencial de repelência de forma segura enquanto aguarda a liberação dos animais pela universidade, os alunos aplicaram o rigor científico e adaptaram a amostragem: recorreram a formigas, que pertencem ao mesmo filo biológico dos escorpiões (Arthropoda). “Quando soubemos da impossibilidade temporária de receber os escorpiões, buscamos uma espécie correlata e de fácil acesso. Como ambos são artrópodes, as formigas foram selecionadas para a triagem primária”, explica o estudante Jean Lucas Silva de Camargo, também de 15 anos.
Nos ensaios laboratoriais feitos até o momento, a resposta foi imediata. As formigas evitaram categoricamente a área tratada com a fórmula em ambas as rodadas de testes. “Foi muito gratificante ver o resultado prático. Na hora em que aplicamos a solução e vimos as formigas se afastando, tivemos a certeza de que a rota escolhida tem potencial”, diz Rodrigo.
A meta do projeto não é a comercialização, mas a transferência de conhecimento. A equipe planeja ensinar a fórmula diretamente a adultos e chefes de família de bairros vulneráveis, onde o risco de contato com escorpiões costuma ser maior devido a entulhos e condições habitacionais.
Nas próximas fases da pesquisa, o grupo conduzirá testes controlados de repelência com escorpiões nos laboratórios da UEL, para determinar fatores como a padronização das concentrações mínimas eficazes da solução, a medição de raio de cobertura e do tempo de permanência da substância e a avaliação de hipoalergenicidade e segurança do produto para humanos e animais domésticos.
Fonte: O Bonde
















