Mãe e padrasto são presos em Belo Horizonte após morte de bebê

abril 11, 2026 8:17 am

A mãe de um bebê de 1 ano e oito meses, brutalmente espancado e morto na última segunda-feira (6/4) em Belo Horizonte, foi presa na quinta-feira (9/4). A perícia revelou que a criança sofria agressões constantes do padrasto e que a mãe teria sido conivente com os atos, segundo informações da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG).

De acordo com a PCMG, a mãe teria dito, referindo-se ao filho: “tinha que morrer mesmo essa desgraça”. Vizinhos relataram que a criança passava fome e demonstrava desespero ao ver alguém comendo. O irmão do bebê, de 4 anos, também era maltratado e ficava longos períodos sem frequentar a escola. A mulher afirmou ainda que sofria agressões do companheiro.

O delegado Matheus Moraes Marques, da Delegacia Especializada em Homicídios de Belo Horizonte, destacou que a tranquilidade e a indiferença da mãe em relação à morte do filho surpreenderam os militares.

Histórico de agressões e tráfico

A polícia informou que, devido ao histórico de agressões, o casal foi expulso do Bairro Cabana do Pai Tomás, na Região Oeste de Belo Horizonte, por envolvimento com tráfico de drogas. O padrasto chegou a solicitar permissão ao delegado para fugir para São Paulo, alegando receber ameaças de morte.

O menino de 4 anos e o irmão recém-nascido estão sob os cuidados do Conselho Tutelar. O casal passará por uma audiência de custódia para determinar se permanecerão presos ou se aguardarão o julgamento em liberdade. O padrasto será indiciado por homicídio, enquanto a mãe responderá por maus-tratos.

Detalhes da morte

Laudos do Instituto Médico Legal (IML) indicaram que o bebê sofreu lesões no tórax e na cabeça, resultando em hemorragia interna. No dia da morte, a mãe estava em trabalho de parto. Segundo o delegado Marques, o padrasto deixou a residência para comprar cocaína na segunda-feira e, ao retornar, pediu a um parente que cuidasse do bebê sem tocá-lo.

Após 15 minutos sozinho com a criança, o agressor percebeu que o bebê estava engasgando com o próprio vômito e o levou até uma base da Polícia Militar. Os policiais tentaram reanimá-lo, mas sem sucesso. Na UPA Oeste, foi constatado que a temperatura corporal indicava que a criança já estava morta há mais de uma hora.

O delegado também revelou um histórico extenso de denúncias anônimas sobre os maus-tratos sofridos pelo bebê e seu irmão de 4 anos. Ambos já eram acompanhados pelo Conselho Tutelar e por uma ONG governamental.